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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Bree Olson diz que não pegou HIV de Charlie Sheen

A ex-atriz pornô Bree Olson, que namorou com o ator Charlie Sheen, disse que não pegou HIV de Charlie Sheen que é HIV positivo.
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Bree Olson também disse que Sheen não a avisou que tinha HIV durante o relacionamento. Em entrevista ao radialista Howard Stern, nesta terça-feira (17), a ex-pornstar disse que usou, por insistência do ator, camisinha de pele de carneiro, tipo de preservativo que previne a gravidez, mas não evita doenças sexualmente transmissíveis. A entrevista de Bree Olson contradiz a versão de Charlie Sheen, que revelou ser HIV positivo nesta terça-feira, mas que teria avisado a todas as suas ex-namoradas sobre o fato. “Foi a coisa mais estúpida que eu fiz, este namoro. Foi como fazer roleta-russa durante um ano”, ela afirmou. Bree Olson diz que, ao saber que o ex-namorado poderia estar doente, há poucos dias, fez o teste de HIV, que deu negativo para ela.
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“Eu estou aqui para admitir que, de fato, sou HIV positivo”, revelou Charlie Sheen nesta terça-feira ao programa “Today”, da emissora americana NBC.
Charlie contou ao “Today” que recebeu o diagnóstico há quatro anos, mas não sabe como contraiu o vírus. “Tudo começou com o que pensei ser uma série de [episódios] de dor cabeça insuportáveis. Pensei que fosse um tumor no cérebro”, lembrou. “São três letras difíceis de digerir [HIV]. É uma mudança na vida de qualquer pessoa.”. O médico de Charlie Sheen afirmou que, apesar de ele ser portador do vírus HIV, a Aids ainda não se manifestou no organismo do ator.
Entenda o que é ser HIV positivo: 
O HIV é o vírus que provoca a Aids, doença que ataca o sistema imunológico, fazendo com que o paciente fique vulnerável a outras doenças. Ser HIV positivo não significa ter Aids. Isso porque é possível ter o vírus no organismo, mas não manifestar os sintomas. Alguns soropositivos vivem muito tempo com o vírus sem desenvolver a doença.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Cientistas descobrem vacina experimental contra HIV


Por acaso você já ouviu falar do Dr. Robert Gallo? Esse nome pode até não ser muito famoso (ainda), mas o pesquisador biomédico que liderou a equipe responsável por desmascarar a causa da AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) pode ficar internacionalmente conhecido em pouco tempo. O HIV é, até o momento, incurável. No entanto, mais de 30 anos após o “estouro” da AIDS, o Dr. Gallo ainda não parou sua busca incansável por descobrir formas de combater este vírus. E agora está prestes a testar uma vacina experimental contra HIV em humanos.
Como diretor do Instituto de Virologia Humana (IHV), Dr. Robert Gallo está lançando recentemente seu primeiro ensaio clínico para uma vacina “contra a AIDS” – esse projeto tem 15 anos de existência, inquietações e pesquisas, que podem estar agora dando os primeiros frutos significativos.
A busca por uma vacina contra o HIV e SIDA está em curso há décadas. Vacinas – que contem, como de costume, uma forma severamente enfraquecida do micróbio infeccioso, tem sido a arma mais eficaz na luta da humanidade contra uma variedade de doenças bacterianas e virais.

Que doenças já foram extintas com a descoberta de vacinas?

Quer um exemplo? A varíola foi completamente varrida do nosso querido Planeta Terra depois de um vasto e intenso programa de vacinação, com isso milhões de vidas foram salvas. Polio pode ser outro exemplo de vacinas que deram certo – apesar dos recentes problemas em áreas que são mal vacinados. O Sarampo pode ser encarado como outro sucesso das vacinas.

Em que pé anda a vacina contra HIV?


Sonho de muitos doentes pode estar próximo a realidade, com a vacina experimental contra HIV
O sistema imunitário humano parece ser incapaz de combater uma infecção por HIV; conseqüentemente, com exceção de um caso excepcional, ninguém jamais recuperou dessa infecção. Uma das formas de explicar essa complexidade é o fato da grande capacidade do HIV em sofrer mutações, por isso conceber uma vacina eficaz contra AIDS tem sido um enorme desafio. Alguns pesquisadores que já se dedicaram ao tema, pensam ser essa capacidade de mudação uma barreita intransponível.
Quando o HIV infecta uma pessoa, a sua proteína de superfície se liga a outra proteína de segmentos chamado o receptor CD4, que é encontrado em células brancas do sangue. Usando este ponto de retenção na glóbulos brancos como um ponto de paragem, que, em seguida, começa a se ligar com um segundo receptor chamado de co-receptor. Uma vez feita essa aderência, se torna possível infectar as “células brancas” do sangue e replicar-se.

Como funciona a vacina experimental “contra HIV”?


Teste deu positivo, e agora?
A vacina experimental da AIDS contém uma versão da proteína de superfície do HIV, que se liga a alguns segmentos dos receptores de CD4. Tal como acontece em outras vacinas, o objetivo é gerar anticorpos – as proteínas produzidas pelo sistema imunitário que procura e neutralizar agentes patogénicos bacterianos ou virais. Esses irão ligar-se com a proteína de superfície de HIV (ainda em transição), tentando impedir o processo a infecção antes que o vírus se replique.

Quem é responsável pela vacina HIV? Quando teremos acesso a ela?


Bem, apesar dos avanços, é preciso ir com calma – alguns passos ainda precisam ser dados. Antes da liberação de uma vacina, é comum uma série de testes em humanos. No caso do IHV, essa etapa de testes precisa ser ainda mais cautelosa. Os pesquisadores querem ter certeza da eficácia e dos potenciais dessa vacina experimental. Em último relato para a Revista Science, Dr. Gallo disse que apesar dos avanços e descobertas ao longo dos 15 anos de pesquisa, até que essas vacinas sejam disponibilizadas para o público geral, ainda é necessário um caminho de testes e experimentações em seres humanos.

Alguns dados sobre a AIDS


Causas relacionadas com a SIDA já matou 1,2 milhões de pessoas somente em 2014 – dados da Organização Mundial de Saúde. Se essa vacina der certo, se mostrando eficaz, seria a solução para a dor de muitas pessoas ao redor do mundo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ela contraiu da forma mais sinistra e repugnante possível!



Em 2012, com 23 anos, Abby conheceu um homem na Austrália e os dois tiveram um relacionamento rápido e tórrido, após duas semanas, Abby resolveu terminar, e justificou dizendo que “simplesmente não queria mais”. O homem insistiu, mas Abby refutou todas as tentativas dele de continuarem o relacionamento, mas ela preferiu não continuar…

Após perceber que não conseguiria mais nada, o homem enviou um SMS sinistro dizendo: “Você vai se lembrar de mim para sempre!”. Inicialmente sua rotina não mudou muito, mas ela ficou desconfiada quando teve uma herpes labial muito forte, ela se consultou com uma médica e pediu um exame de HIV, apesar da doutora dizer que não era necessário, para Abby, o jeito foi conhecer outras mulheres portadoras do vírus e tentar descobrir tudo que pudesse sobre a doença.

Dias depois veio o resultado positivo e ela entendeu o tom de ameaça da mensagem do sujeito, ele havia transmitido a doença a ela propositalmente. Ela conta que pouca coisa mudou em sua rotina, como precisar tomar dois comprimidos todos os dias. A infecção de Abby ocorreu em um momento particularmente complicado na Austrália, que vive um pico de infecções da doença nos últimos cinco anos. Como resultado de sua busca, ela se tornou uma ativista da comunidade portadora de HIV. Abby também ajudou a produzir um documentário que conta a história da infecção dela. O documentário, chamado “Transmission: Journey from AIDS to HIV“, será lançado em 19 de novembro, na Austrália

domingo, 19 de julho de 2015

O supercomputador que pode ter descoberto como vencer a AIDS

Considerada por muitos cientistas como a doença perfeita, a AIDS mata milhões de pessoas todos os anos e apesar dos incontáveis centros de pesquisa espalhados por todo o mundo buscarem incansavelmente a cura, ainda não foi descoberto uma forma de curar a AIDS porém isso pode mudar em breve graças a um supercomputador, entenda como uma máquina pode ter dado a arma perfeita pra vencer essa guerra contra o HIV.

O grande problema na hora de enfrentar o HIV, vírus causador da AIDS, é que ele se modifica muito rapidamente, tornando-se imune aos remédios, e, além disso, existe o fato dele usar nosso sistema imunológico para se desenvolver. Assim esse vírus é o causador da doença “perfeita” e a luta contra ele é uma guerra desleal.

Durante anos, a humanidade buscou uma maneira de vencer essa luta pela força, matando e destruindo o vírus dentro do nosso corpo, mas agora uma nova esperança surgiu e pode ser que tenhamos encontrado o “calcanhar de Aquiles” do HIV.

O vírus da AIDS possui uma espécie de “capinha” que protege seu material genético. Esse revestimento é extremamente complexo, com formas que sempre deixaram os cientistas pasmos, pois era impossível entender exatamente como aquilo funcionava. Mesmo com a utilização de poderosos microscópios e várias ferramentas, ninguém entendia a tal proteção de maneira satisfatória.

Sendo assim, para entender como o vírus se protegia do mundo externo, os cientistas precisavam pegar todos os dados que tinham e fazer com que eles fossem interpretados por um computador, mas precisaria ser uma máquina muito poderosa, caso contrário tudo isso poderia levar anos. Felizmente nós vivemos na época dos supercomputadores.

Para a missão AIDS era necessário a utilização de um computador que tivesse capacidade de processamento na casa dos petaflops (cem trilhões de cálculos com ponto flutuante por segundo). E para a sorte dos pesquisadores, a University of Illinois tinha recém adquirido um desses “monstros de processamento”, chamado Blue Waters.

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O Blue Water é uma máquina gigante, que conta com mais de 40 mil processadores trabalhando juntos e custou mais de 100 milhões de dólares.

O supercomputador recebeu um programa escrito especialmente para a busca pela resposta sobre a formação da proteção do HIV. E com a ajuda de milhões de dados gerados durantes anos e anos de pesquisas, ele foi capaz de derrotar a complexidade dos vírus e trazer para os cientistas o caminho para a vitória.

Sem muita delonga, o supercomputador conseguiu decifrar, nos mínimos detalhes, o funcionamento e a estrutura do invólucro viral, criando o “mapa da mina” para que os pesquisadores possam criar um remédio capaz de destruir essa parte do vírus. Com algo capaz de atacar especificamente essa estrutura, os cientistas podem criar o remédio perfeito, pois tal parte do vírus não será capaz de sofrer mutações tão rapidamente quanto as outras partes. Assim poderemos enfim derrotar a AIDS sem maiores problemas.

E ainda existe o fato de que, mesmo que ele se modifique, a arma para a luta já foi descoberta, seria apenas preciso ajustá-la.

Atualmente os pesquisadores já trabalham na criação de um remédio que consiga atacar a proteção do vírus. E talvez no futuro a AIDS possa ser derrotada, tudo graças a um supercomputador!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Menino de 8 anos que nasceu com HIV é expulso de casa após ter condição descoberta

Um menino de 8 anos que nasceu com HIV positivo foi banido de sua cidade natal por conta da doença. Ele foi visto como uma bomba-relógio inclusive por familiares.
Luo Kunkun foi tratado com grande preconceito após a descoberta do vírus em seu corpo. Ao todo, 203 pessoas o descreveram como uma bomba-relógio, incluindo seu próprio avô. Todos eles assinaram uma petição para banir o menino da aldeia em que vivia.
O garoto que foi impedido de ser matriculado em uma infinidade de escolas afirmou que vive sozinho: “Ninguém quer brincar comigo”.
Menino de 8 anos que nasceu com HIV é expulso de casa
Um menino de 8 anos que nasceu com HIV positivo foi banido de sua cidade natal por conta da doença. Ele foi visto como uma bomba-relógio inclusive por familiares.
Atualmente ele conseguiu apoio em uma escola especializada de Lifen, cidade na província de Shanxi, na China. A instituição é a única do país equipada para cuidar e educar crianças com AIDS.
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Luo contraiu a doença no ventre da mãe, e foi criado por seus avós depois que foi abandonado pela mulher. Porém, aos 5 anos, depois de ser diagnosticado com HIV positivo em 2011, os próprios avós resolveram tirá-lo de casa, e o colocaram vivendo isolado em Shufangya, província de Sichuan.
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“Eu não queria abandoná-lo, mas minha esposa e eu somos velhos demais para cria-lo”, comentou o homem de 69 anos.
Após o caso vir a conhecimento público, o governo de Sichuan e a escola em Linfen resolveram cuidar de Luo. Após o incidente, uma campanha foi criada na cidade natal do menino para educar os moradores sobre a doença e os riscos de contaminação.
Fonte: Mirror

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brasileiros produziram anticorpos contra o HIV a partir do arroz e da soja

 
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Uma dupla de cientistas brasileiros (Elíbio Rech e André Murad) fez uma descoberta incrível, após fazer experimentos com sementes de soja e arroz foi possível comprovar que pode-se extrair uma proteína que diminui as defesas do vírus HIV e faz com o sistema imunológico consiga elemina-lo.
Tal feito foi produzido com um processo chamado biobalística, em que as sementes são submetidas ao bombardeamento com microprojeteis de ouro e tungstênio a 1500 Km/h, sendo assim, o DNA é modificado produzindo o anticorpo 2G12, responsável pelo enfraquecimento do vírus da AIDS.
Após esse processo, as sementes são submetidas a cromatografia de imunoafinidade, onde é produzido um gel utilizado nas relações sexuais. Esse método pode melhorar e baratear em 96% os custos para produção desse anticorpo que antes era produzido em células de mamíferos cultivadas em tanques de fermentação.
Imagem: Cotrijui.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Aids, prostituição e processos: começa a ressaca do “BBB 15″

O clima de descontração e festa na final do “Big Brother Brasil 15″ já parece estar bem distante do cotidiano dos participantes. Mesmo tudo tendo acontecido na semana passada. As desavenças que foram até poucas dentro da casa (comparando com outras edições) começaram a pegar fogo só agora, com os participantes já livres do cárcere voluntário.
Tudo começou quando Fernando descobriu que Angélica, Tamires e Amanda disseram que por ele trabalhar em projetos sociais voltados para questão de reabilitação de pacientes com Aids, ele provavelmente seria portador também.

Fernando ameaça processar Angélica que ameaça processar Aline

Me decepcionei muito, é um preconceito absurdo. Julgam as pessoas pelo o quê elas vestem, pelo o que elas falam, só que não julgam as pessoas pelo o que elas são. É muito fácil apontar para o outro e falar mal, agora é muito difícil falar bem. E aí eu venho desenvolvendo esse trabalho de longa data para justamente quebrar esse preconceito. Foi um absurdo essa especulação e afirmação. Eu já acionei minha assessoria e estamos consultando um advogado. O que elas (Angélica, Tamires e Amanda) falaram está gravado. A gente tem todas as informações necessárias para acionar a Justiça. Agora está na mão dos advogados, e as pessoas envolvidas podem responder por isso. A gente só vai aguardar o momento certo.
Aline e Fernando seguem no centro das polêmicas
Aline e Fernando seguem no centro das polêmicas
O mesmo Ego que colheu essa informação conversou com Angélica sobre essa questão:
Todos os participantes ficaram chocados com esta acusação dele e da Aline. Sou enfermeira há 14 anos e sempre trabalhei para pessoas doentes. Não tenho esse tipo de preconceito. Tenho certeza de que não falei que ele tem a doença. Apenas estava falando do trabalho social dele, que é muito bonito. Eu tenho minha consciência tranquila e não estou preocupada com futuros processos. Isso não aconteceu.
Logo depois a assessoria de Fernando retificou a questão do processo, dizendo que a declaração do carioca foi feita no calor do momento e que ele só queria chamar atenção para o problema do preconceito. Mas aí, neste meio tempo Angélica lembrou que Aline tinha dito no programa que ela era prostituta e resolveu entrar com um processo também.
É muito fácil falar e depois dizer que fez tudo bem, sem pensar. A Aline errou e foi muito sério o que ela falou de mim. Está na hora da Aline aprender a ter responsabilidade com o que fala. Ela não é uma menininha, é uma mulher e não é a dona da verdade. Não aceito as desculpas, que enfie as desculpas no bolso. Estava na minha, mas toda ação tem uma reação (…) Eu e o meu advogado já estamos com todas as provas. Não quero o dinheiro dela, mas exijo respeito. Quem não deve não teme. Apenas estou me defendendo das acusações dela.
Angélica é um personagem mais interessante fora da casa do que dentro
Angélica é um personagem mais interessante fora da casa do que dentro
A assessoria de Aline informou, também ao Ego, que só irá se manifestar depois de receberer a notificação.
Esse “BBB” já está rendendo mais do que a encomenda.

sábado, 11 de abril de 2015

Em bate-boca, Angélica confirma com Aline declarações sobre HIV em triangulo amoroso!!

Rolou o maior barraco entre Angélica e Aline na Maratona BBB, bate-papo organizado pelo site de entretenimento da Globo para “lavar a roupa suja” do reality.
Tudo começa quando Angélica relembra um comentário de Aline sobre a existência de um vídeo onde, segundo a loira, ela e Amanda teriam dito que Fernando é portador do vírus HIV. “Nós puxamos agora e tem um vídeo onde eu, Amanda e Tamires estávamos no quarto falando sobre o serviço social que o Fernando faz. Não há vídeo falando sobre isso”, diz Angélica, garantindo que a produção do reality nega a existência da gravação.
“Queria deixar claro para o Brasil inteiro: ter HIV, gente, não é problema. Hoje em dia, poucas pessoas morrem com o vírus HIV. Mas isso não significa que as pessoas não tenham que se prevenir, usar camisinha, se cuidar, fazer todos os exames, pré-natal, Papanicolau…”, prossegue Angélica, em tom de deboche.
Em seguida, a ex-BBB pede que Aline comprove a existência da declaração polêmica. “Já que você diz que eu falei, gostaria, por favor, que essa acusação que você fez…que você me provasse. Porque senão nós vamos ter mais um problema, além do fato de você ter me chamado de prostituta. E se realmente, você acredita nessa história do Fernando ter HIV…Eu acho complicado Amanda ter falado nisso, até porque ela, assim como você, transou com ele sem camisinha”, dispara Angélica.
O clima esquenta ainda mais e Aline pede, então, que Angélica prove a veracidade das afirmações que fez. “Trabalho na área da saúde há 14 anos, ninguém toma pílula do dia seguinte sem ter transado sem camisinha, desculpa. Eu achei a tua pílula, desculpa”, ironiza Angélica.
Veja como foi o bate-boca das ex-BBBs no vídeo abaixo:

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Remédio que impede HIV pode decretar fim da era da camisinha

O Truvada é encontrado no mercado americano desde 2004, como tratamento para pessoas infectadas com o HIV

O Truvada é encontrado no mercado americano desde 2004, como tratamento para pessoas infectadas com o HIV

Nova York - Mais de dez anos após ser aceito como tratamento para o HIV e passados já 30 meses desde que conseguiu ser oficialmente considerado como uma profilaxia para o vírus (PrEP), o remédio Truvada vai ganhando popularidade e cobertura, influenciado a vida sexual dos americanos.
Este medicamento produzido pelo laboratório Gilead, que tem sua versão genérica do laboratório indiano Cipla, passou por vários estados: tratamento regular para infectados, pílula "do dia anterior" ou do "dia seguinte" de ter relações de risco e, já há dois anos e meio, tratamento regular diário para pacientes em risco.
Neste último formato, o PrEP só funciona por enquanto nos Estados Unidos, Brasil e África do Sul, embora esteja em processo para ser aprovado na França.
E enquanto os laboratórios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês) são claros e o catalogam como uma precaução adicional ao uso de outras medidas, especialmente o preservativo, a aplicação prática não é exatamente assim.
"Eu escolhi não usar preservativos. Estou tomando PrEP desde o dia 19 julho de 2011. No primeiro ano o combinava com preservativos, porque ainda era muito novo. Minha cabeça não podia sentir-se segura sem preservativo. Mas, uma vez que minha experiência demonstrou que realmente funciona e que o tomo todos os dias, já não uso preservativo", disse à Agência Efe Damon Jacobs, terapeuta sobre transmissão do HIV e medicado com Truvada.
Jacobs está em tour pelos Estados Unidos com uma palestra na qual conta sobre sua experiência com o remédio, que foi adquirido em farmácias com prescrição médica para uso profilático por 3.253 pessoas entre janeiro de 2012 e março de 2014.
O Truvada, uma combinação dos antirretrovirais tenofovir e emtricitabine, já é um tratamento aceito em modo coparticipativo pela grande maioria dos seguros médicos privados, no Obamacare, para o qual a própria farmacêutica oferece um plano de financiamento. Nova York e Washington são os estados que encabeçaram esta medida.
O medicamento pode interferir na função renal e provocar dores de cabeça e náuseas nos primeiros meses de uso. Para Jacobs, tudo muito pouco perto dos benefícios.
"Os únicos efeitos colaterais que tive são paz mental e um sexo incrível, porque sexo sem medo é algo extraordinário e não sabia o que era até agora pouco", comentou.
O terapeuta faz parte de um dos grupos apontados pela OMS como os de maior risco: a população homossexual, à qual "recomendou encarecidamente" que adote a medicação como medida para acabar com a epidemia da aids, já que tem 99% de efetividade, assim como outros grupos de risco, como heterossexuais com vários parceiros sexuais e usuários de drogas injetáveis.
"Nos últimos dez anos, a população negra, gay e bissexual, entre 13 e 24 anos é a que mais registrou aumentos do percentual de contaminação pelo HIV", explicou Jacobs.
Talvez por isso, e porque no caso dos homossexuais não existe risco de concepção, nos sites e aplicativos de contatos para gays, a palavra PrEP começa a entrar na categoria de sexo com ou sem preservativo.
A fabricante explicou que 40% dos usuários do Truvada são mulheres (especialmente do sul dos Estados Unidos), mas embora o consumo entre homossexuais esteja aumentando, entre as mulheres está caindo.
Como é possível imaginar, seu uso não está livre de polêmica. Michael Weinstein, o presidente da Fundação do Cuidado da Aids, é seu principal crítico, por considerá-lo contraproducente, por causa do risco de uso irregular da pílula ou da possibilidade que o vírus se tornar mais forte e imune ao fármaco. Para ele se trata de "um desastre sanitário em processo".
Jacobs insistiu que ele é uma "camada extra" de proteção para quem não pratica sexo seguro. "As pessoas têm feito sexo sem preservativo de maneira persistente nos últimos anos. Por isso há 50 mil novas infecções por ano", contestou Jacobs.
"A parte racional do cérebro é neutralizada quando estamos excitados e esse é o momento em que precisamos lembrar de usar preservativo. É mais provável tomar um comprimido no dia seguinte", argumentou Jacobs.
Em todo caso, ainda existe entre a população o medo lógico de uma medida incapaz de ser fiscalizada como o látex e a própria farmacêutica decidiu não divulgar este uso do Truvada para pacientes que não são HIV positivo.
"A companhia não empreendeu atividades de promoção do Truvada como tratamento profilático", informou à empresa em comunicado enviado à Agência Efe, mas realizou uma campanha informativa "sobre o uso apropriado" do medicamento.
Também há vozes que apontam que a utilização do PrEP como alternativa ao preservativo poderia aumentar o contágio de outras doenças como gonorreia ou clamídia, embora seu uso também obrigue os usuários a realizarem controles trimestrais para monitorar as condições renais e a sorologia.
"Já não há argumentos científicos ou econômicos para rebatê-lo e só restou o argumento de que as pessoas vaão fazer mais sexo com o remédio, o que parece continuar a incomodar alguns setores da sociedade. Aconteceu o mesmo quando a pílula anticoncepcional foi inventada ou quando descobriram a cura para a sífilis", concluiu Jacobs.

segunda-feira, 30 de março de 2015

CONHEÇA 30 FATOS SOBRE HIV E AIDS QUE O FANTÁSTICO NÃO MOSTROU

30 fatos que a reportagem do Fantástico sobre o "Clube do Carimbo" omitiu
 O ativista Diego Callisto, um dos entrevistados pelo programa, coloca em tópicos tudo que as reportagens não exibiram sobre o clube do carimbo.

Recentemente, mais precisamente nos últimos dois domingos, foram ao ar noFantástico duas reportagens sobre o “clube do carimbo”, que de acordo com a chamada iria mostrar as investigações que a equipe do programa realizou ao longo de dois meses, tendo acesso inclusive ao clube e entrevistando aqueles que se dizem “carimbadores”.
Entre a chamada e o que foi exibido existiu um abismo enorme de desserviço, despreparo e sensacionalismo. A matéria acerca dos supostos carimbadores, que são pessoas que disseminam o vírus HIV propositalmente utilizando-se de métodos de fraude e abuso de confiança (supostamente pessoas que furariam camisinhas ou as retirariam durante o ato sexual), pouco revelou sobre alguém que realmente praticam esses atos indefensáveis. No entanto, a absurda, criminosa, estigmatizadora e discriminatória reportagem que o Fantástico levou ao ar gerou um grande pânico moral sobre a transmissão do HIV/Aids.
Antes de discutir os pontos abaixo, quero registrar que eu, como ativista, humanista e por ser  um jovem vivendo com HIV, sou contra a transmissão do vírus de forma intencional, pois luto pela vida e não concordo que pessoas adotem práticas que caracterizam uma agressão à saúde.
Justamente por isso fiz parte da reportagem que foi ao ar: por ser uma pessoa que já denunciou esse tipo de prática, por viver com o vírus HIV e por querer mostrar que existem os dois lados da moeda. De um lado, os soropositivos que buscam viver com qualidade de vida, fazendo uso regular de medicamentos antirretrovirais e enfatizando a prática do sexo seguro, protegendo-se e protegendo o outro; no outro extremo, pessoas soropositivas, que não fazem uso de medicamentos antirretrovirais, relacionam-se e se agrupam, sexualmente falando, com a intenção de transmitir o HIV para outras pessoas, fraudando os métodos de prevenção.
Gostaria ainda de ressaltar que minha entrevista para a reportagem final foi de 57 minutos e 27 segundos e, como todos sabem, existe a edição que escolhe estrategicamente o que e como vai ao ar. Então, por mais que eu tenha tido a melhor das intenções e tenha falado sobre mecanismos importantes e relevantes para entendermos como enfrentamos a epidemia de Aids hoje, e também sobre quais as tecnologias e profilaxias disponíveis, infelizmente a grande mídia censurou, editou e reproduziu aquilo que ela achava viável e que dialogava com o eixo principal da reportagem, que no caso do Fantástico não era informar e alertar, mas sim chocar as pessoas por meio de uma matéria totalmente incoerente e desorientada.
Por isso, enumerei aqui 30 fatos que você precisa saber sobre Aids e HIV que e a mídia de massa (especialmente o Fantástico) não informou:
  1. Vivo com HIV há 8 anos. Minha sorologia é pública, praticamente desde o momento em que tive acesso ao meu diagnóstico, e de lá pra cá me tornei um ativista e humanista. Diante disso, umas das minhas maiores preocupações em relação ao que foi noticiado sobre o “clube do carimbo” é ressaltar para a sociedade que tal prática não é algo inerente a TODOS os soropositivos, mas a um pequeno recorte de soropositivos que se reúnem para transmitir o HIV intencionalmente. Portanto, sempre existiu da minha parte, em tempo integral durante as gravações para o Fantástico, uma preocupação enorme com esse tom generalista que as matérias em mídia impressa e online já haviam adotado no sentido de incluir o “clube do carimbo” como uma prática referente a todos os soropositivos, principalmente gays. Eu particularmente considero isso muito preocupante e estarrecedor, porque se trata de uma manipulação da informação para gerar mais estigma e preconceito a pessoas que já sofrem tendo seus direitos violados na sociedade.
  2. Acolho por dia, em média, cerca de dez pessoas que se infectam com o HIV e que me procuram com as mais variadas motivações: pedir ajuda, denunciar alguém, obter informações, parabenizar, flertar etc. Sempre me deparo com realidades diferenciadas como, por exemplo, em 2013, quando descobri e pela primeira vez denunciei a existência de um “clube de carimbo”. De lá pra cá, muita coisa mudou, a forma e a dinâmica que esses encontros acontecem se tornou menos acessível para os curiosos, e as informações atualizadas que eu tenho são de dois tipos de participantes: os que foram aos encontros e foram “carimbadas” intencionalmente, e aqueles que o usam de bode expiatório, sem nunca terem participado de qualquer ritual intencional de contaminação, mas frequentam os grupos e quando transam colocam como condição o uso da camisinha e eles mesmos levam a própria camisinha e ficam sempre alertas durante o ato sexual.
  3. Conheci um rapaz de 19 anos, com o qual eu converso até hoje. Ele já frequentava as festas de bareback (sexo sem preservativo) havia quase um ano e na época ainda era negativo. Eu perguntei pra ele se ele não tinha o medo de contrair o HIV nesses encontros e ele disse que não, que ele via pessoas positivas para o HIV vivendo numa boa e que ter HIV hoje era diferente e não adoecia mais. Foram estas exatas palavras. Tentei dissuadi-lo de tudo que é jeito a não ir mais aos encontros, que passaram a acontecer não só em São Paulo, mas em várias outras capitais e cidades turísticas. Ele de alguma forma se sentia seguro comigo na mesma medida em que se sentia seguro com o outro rapaz que organizava um desses clubes, talvez porque somos extremos opostos e existia nele a dúvida sobre continuar indo ou desistir. Eu sempre defendia o uso da camisinha e pontuava negativamente a prática desses encontros, e alertava que as pessoas com HIV que não são tratadas podem sim vim a se tornarem doente de Aids (doente de Aids é diferente de soropositivo; o primeiro desenvolveu a doença porque não se tratou, o segundo se trata regularmente e não desenvolveu a doença). Apesar das posições divergentes, esse jovem sempre me confidenciava muito do que acontecia e da dinâmica dos encontros. Foi aí que comecei a compreender e enxergar melhor como tudo funcionava, ou seja, há pessoas que buscam esses grupos voluntariamente, mesmo sabendo dos riscos. Algumas, inclusive, fetichizam o vírus, conforme já se debateu aqui no Lado Bi. O tempo passou, e esse jovem hoje tem 21 anos, é soropositivo, casado com um outro rapaz que também frequentou esses grupos e, atualmente, moram fora do país. Entendi a partir daí que existem processos muito maiores que nosso poder de intervenção e capacidade de argumentação e que, apesar de todo esforço, algumas questões, como essa por exemplo, estão muito além de bons argumentos ou intervenções propositivas. Perpassam uma conjuntura, um pensamento e um processo muito maior que eu. Existe o “clube do carimbo” ? Sim! Todos com esse nome? Dificilmente. Mas acredito que ainda existem grupos organizados de pessoas que se reúnem mensalmente para realizar tal prática voluntariamente. Certa vez um jovem que acolhi disse: sempre chegam novos integrantes na mesma medida que tem pessoas deixando de frequentar os grupos. E muitas vão somente uma vez de curiosidade, enquanto que outras não faltam a nenhum encontro mensal. A partir daí é possível inferir duas coisas: não existe uma via de regra e nem há um padrão de comportamento nesses grupos.
  4. Grande parte dos soropositivos, arrisco dizer que sua quase totalidade, não corrobora com a prática de transmitir HIV propositalmente e deliberadamente como o  “clube do carimbo” incentiva e a imprensa tem colocado. Todavia, é exatamente nessa minoria, nessa pequena parcela de pessoas, que todas as atenções e olhares sensacionalistas dos veículos de comunicação voltaram-se para carregar com mais estigma e preconceito a forma que a sociedade enxerga os gays soropositivos, que historicamente é um grupo de pessoas que sofre para combater atos discriminatórios e quebrar paradigmas impostos desde as primeiras ondas de epidemia de Aids nas décadas de 1980 e 1990. A mídia não está preocupada em informar as pessoas, mas sim em manipular a informação para criar um mal-estar geral e um conceito totalmente equivocado na sociedade em relação aos soropositivos, sobretudo gays.
  5. É óbvio que, para alguns editores, pouco importa a veracidade ou a pertinência da reportagem frente aos fatos, mas sim a repercussão e o alcance que ela terá e o posterior impacto dela na sociedade. Todo esse assunto envolvendo a transmissão intencional do HIV perpassa isso, vai exatamente de encontro às linhas editoriais que não se preocupam em informar, mas sim em chocar. O repórter que me entrevistou, por exemplo, parecia mais preocupado em provar a existência desse clube e se mostrou totalmente desconhecedor dos modernos tipos de  profilaxias e tratamento existentes, tanto para pessoas soropositivas, quanto para pessoas soronegativas. A visão dele sobre Aids, me pareceu, estar estacionada no terror dos anos 1980.
  6. Foto da câmera da Globo mostra a duração da entrevista com Diego Callisto e dá uma ideia do tanto de informação suprimida em nome do sensacionalismo
    Foto da câmera da Globo mostra a duração da entrevista com Diego Callisto e dá uma ideia do tanto de informação suprimida em nome do sensacionalismo
  7. É importante destacar que o tratamento antirretroviral (TARV) é oferecido e recomendado para todo soropositivo manter-se saudável e com qualidade de vida. O tratamento disponível hoje é muito diferente daquele oferecido no começo da epidemia, já que atualmente esse tratamento é menos tóxico, menos agressivo e mais prático de ser realizado desde a posologia até sua ingestão. Cabe ressaltar que quando realizado da maneira correta e com adesão, tal tratamento é capaz de reduzir a quantidade de vírus no sangue, a chamada carga viral a níveis indetectáveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa com carga viral suprimida ou indetectável apresenta menos de 1.000 cópias por mililitro cúbico de sangue, enquanto que o Ministério da Saúde tem como referência menos de 50 cópias por mililitro cúbico de sangue.
  8. De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pelo Departamento de AIDS e Hepatites Virais, estima-se que existam cerca de 734 mil pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil, desse total 355 mil (48%) estão em TARV, sendo que 293 mil (40%) estão com a carga viral indetectável nos parâmetros da OMS e 255 mil (35%) nos parâmetros do Ministério da Saúde.
  9. Na reportagem do Fantástico, um dos alegados “carimbadores” aparece dizendo que faz uso de antirretrovirais há dez anos, ou seja, dificilmente essa rapaz está transmitindo o vírus HIV para outras pessoas e exercendo a “carimbada”. Até porque, epidemiologicamente falando, não existe nenhum dado de infecção pelo o HIV em uma pessoa com a carga viral suprimida. Nessa condição, o risco de transmissão do HIV é reduzido em pelo menos 96%, mesmo em caso de falha no uso da camisinha.
  10. Em 2012, a Comissão Federal Suíça de Aids publicou um artigo no qual afirma que as pessoas com HIV em tratamento regular por pelo menos seis meses não transmitem o HIV. Além disso, vale destacar dois estudos importantes nesse sentido: um denominado HPTN-o52 realizado em casais sorodiscordantes (ou seja, no qual um dos parceiros tem HIV e o outro não) mostrou essa redução de até 96% na taxa de transmissão do HIV dentro dos casais cujo parceiro com HIV estava tomando antirretrovirais e outro estudo, ainda em curso, denominado Partner, que já acompanhou durante dois anos casais sorodiscordantes heterossexuais e de homens que fazem sexo com homens (HSH) em que o parceiro com HIV usa antirretroviral. Até o presente momento, diante dos dados preliminares, não observou-se qualquer infecção pelo HIV durante este período. Portanto o tratamento também é prevenção, e serve como medida de proteção para que o parceiro soropositivo reduza a transmissibilidade do HIV nas relações. Justamente por isso é de suma importância que informações como essas sejam incorporadas a reportagens relacionadas ao HIV sejam elas ligadas ao “clube do carimbo” ou não.
  11. O próprio Ministério da Saúde reforça o tratamento como prevenção (detreatment as prevention, ou TasP, no original em inglês) na prevenção do HIV: o início precoce do tratamento da pessoa recém-infectada diminui a possibilidade de que ela transmita o vírus. Na maioria dos casos, com a correta adesão ao tratamento com medicamentos antirretrovirais disponibilizados pelo SUS, a carga viral da pessoa com HIV pode se aproximar de zero, alcançando níveis indetectáveis.
  12. Existem inúmeras pesquisas sobre novas profilaxias já divulgadas e em andamento, relacionadas às novas tecnologias de prevenção, inclusive algumas já são incorporadas no Brasil. Uma delas é a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais até 72 horas após o “acidente” por 28 dias ininterruptos. Isto evita a multiplicação do vírus e posterior soroconversão e está disponível no SUS desde 2012.
  13. Há também a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes do risco. No Brasil, estão sendo realizados dois estudos coordenados (IPEC/RJ e CRT/SP) para avaliar sua aceitação e implementação no país. Mesmo que ainda não disponível à população em geral do Brasil, este é um mecanismo importante no cardápio de prevenção que temos em relação ao HIV. Nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Austrália, o uso desse tipo de medicamento como auxiliar à camisinha ou para pessoas que tenham problemas em usar preservativo já é amplamente praticado. A reportagem do Fantástico, apesar de mencionar a PEP na fala da diretora do Unaids, ignorou não só essas tecnologias disponíveis e indispensáveis para uma política séria de prevenção, como deixou de informar outras estratégias importantes como a prevenção combinada e a redução de risco.
  14. É preciso compreender a diferença entre bareback e o “clube do carimbo” uma vez que nem todo praticamente de bareback é um “carimbador”. O termo bareback surgiu no início dos anos 1990, e consiste na prática do sexo anal sem o uso de camisinha entre pessoas. Não tem relação alguma com a transmissão intencional do HIV. O pontapé inicial para toda essa confusão e pânico moral da sociedade que acontece hoje em relação ao “clube do carimbo” vem justamente pelo fato de denúncias feitas contra um blog chamado “Novinho Bareback”. Neste blog, o autor falava sobre o “clube do carimbo” e fornecia um passo-a-passo de como transmitir o vírus HIV propositalmente para outras pessoas. Com essa atenção o clube ganhou notoriedade e imediatamente a mídia se incumbiu de polemizar ainda mais o assunto. Automaticamente as pessoas começaram a associar o bareback com o “clube do carimbo”. Por mais que os “carimbadores” sejam adeptos ao bareback, nem todo barebacker transmite HIV propositalmente. Durante a minha entrevista para o Fantástico, mencionei por diversas vezes que adeptos do bareback adotam estratégias de maneira a realizar a gestão do risco, como a segurança negociada (prática de bareback entre um casal, mas caso um terceiro elemento ou outros sejam incorporados à relação, ela deverá ser com camisinha), serosorting (a escolha da relação sexual, bareback ou não, com base no status sorológico do parceiro) e vacinas preventivas que vêm sendo desenvolvidas em países como EUA e França.
  15. O repórter, no início da reportagem, diz: “Mas aí você não fala que é HIV?” Fiquei questionando várias vezes essa fala: na cabeça do repórter, então, a pessoa perde a humanidade e passa ser um vírus. Ou seja, a partir do momento que uma pessoa tem o HIV ela automaticamente passa a se chamar HIV então? Achei lamentável essa descaracterização em que a pessoa dá lugar ao vírus apenas pelo fato de ser reagente ao HIV, levando a crer que o status sorológico é mais importante que a condição humana. Isso só corrobora com o que disse no começo deste texto: o repórter tem pouquíssimo conhecimento sobre o tema HIV/AIDS.
  16. É bom ressaltar, no entanto, que nos EUA, Canadá e Europa quase como um todo, é comum que as pessoas revelem seu status sorológico antes de transar com alguém. Em muitos casos é porque elas querem saber se podem transar sem preservativo, mas em geral é porque a lei obriga que se faça essa revelação antes do sexo para que a pessoa não seja responsabilizada juridicamente por ter transmitido o HIVEm alguns estados norte-americanos, no entanto, a pessoa pode ser responsabilizada mesmo sem ter transmitido o vírus, pelo mero ato sexual, caso não tenha informado seu status sorológico ao parceiro.
  17. Os adeptos do “clube do carimbo” agem de forma intencional com o objetivo de transmitir o HIV sem o consentimento da outra pessoa, no caso a vítima que será “carimbada”. Porém, na própria reportagem do Fantástico, percebe-se, na primeira tomada, uma conversa por aplicativo — ou simulação — onde uma pessoa fala para outra que é soropositiva e pergunta se essa outra pessoa, de sorologia desconhecida, quer ser carimbada. Isso leva a crer que essa conversa não tem absolutamente nada a ver com o “clube do carimbo”, já que a pessoa está consentindo em correr o risco de ser infectada pelo vírus HIV. Isso é um caso de negligência à própria saúde, já que a pessoa quer ser infectada pelo vírus HIV – mesmo sem saber por quê, como admite o entrevistado. A pessoa que quer se tornar uma “carimbadora”, isto é, uma transmissora intencional do vírus HIV, precisa além de negligenciar a saúde e banalizar a prática do sexo seguro, negligenciar o tratamento e a própria qualidade de vida. Só assim ele seria um transmissor do vírus HIV e poderia relacionar isso à intencionalidade de passá-lo adiante via “clube do carimbo”, que não é o que a reportagem mostra.
  18. Acredito que essa negligência da própria saúde está relacionada à minha fala na reportagem: a banalização da AIDS. Muitas pessoas pensam que viver com HIV é perfeitamente normal e preferem contrair o vírus a ter que seguir aquilo que eles têm como a “ditadura da camisinha”. Aliado a isso, vem o fato de que as pessoas que fazem parte do clube são imediatistas e vivem o hoje sem pensar no amanhã. Um dos fatores que podem levar as pessoas a agirem assim pode ser a baixa autoestima, especialmente pela maneira como a sociedade trata os gays, criando inclusive uma sensação de revolta diante desse cenário. Alguns acreditam ainda que nunca serão infectados e sentem prazer em correr o risco de contrair o HIV, os chamados bug chasers. Outros fazem puramente por revolta por terem se descoberto em algum momento da vida HIV positivo e resolvem que, além de não se tratarem, vão também transmitir deliberadamente para outras pessoas. Lembro-me que, em 2013, eu acolhi um rapaz, ex-garoto de programa, que estava em depressão. Ele me confidenciou que perdeu a conta de quantos homens e mulheres infectou durante os três anos em que trabalhou como profissional do sexo. Ele chegava a vender cocaína e outras drogas para seus clientes na intenção de deixá-los suscetíveis, e fazia o programa por um preço mais acessível justamente para atender o maior número de pessoas possível. Ele conseguiu convencer muitas delas a fazer sexo sem a camisinha, mas quando alguma delas queria usar preservativo, ele fazia o possível para rasgar o preservativo ou retirá-lo. Lembro-me de que o questionei do porquê disso e ele respondeu: “Botaram pra fuder comigo, eu retribuí na mesma moeda e botei pra fuder geral”. O caso dele era extremamente delicado na época: além de HIV ele havia contraído outras DSTs e estava bastante debilitado. Hoje ele faz terapia, sofre ainda de depressão, mas está bem melhor que antes e tenta a todo momento apagar da vida dele esse período. Segundo ele, há vítimas carimbadas por ele que até morreram, isso o deixa muito mal. Ao contrário do rapaz que se diz “carimbador” na entrevista do Fantástico, ele tem, sim, não só drama de consciência, mas depressão por todo esse período da vida dele.
  19. Transformar tal conduta em crime hediondo, conforme propõe o PL 198/2015, não aponta na direção da solução do problema. Acredito que a criminalização e punição carcerária não são solução para esses indivíduos. Pelo contrário, só reforçam o discurso do Estado penal, dos reacionários e dos setores punitivistas, que acham que a solução para comportamentos fora da normatividade burguesa judaico-cristã e ocidental é a repressão e o encarceramento. A criminalização não é a solução, como foi mostrado noFantástico: primeiro porque existem casos de grande especificidade, que inclusive não estão ligados ao clube, como o caso dos dois entrevistados pelo Fantástico que têm relações casuais sem camisinha no próprio apartamento ou em saunas. Em hora nenhuma eles falam que frequentam um clube de sexo grupal que tem por objetivo a transmissão intencional do HIV (curioso como uma reportagem que deveria falar de um clube não conseguiu entrevistar pessoas ligadas a ele). Persistir com a criminalização só vai tornar essas pessoas ainda mais inacessíveis e dificultar qualquer tipo de intervenção comportamental junto a elas. Todo esse incentivo punitivo denota o extremo moralismo com que tratamos a questão da contaminação e da autocontaminação pelo vírus HIV. Sem dúvida, não é com a ameaça de cadeia e punição que avançaremos na consciência das pessoas e acabaremos com esse tipo de prática lamentável. Pelo contrário: aprovar leis como a PL 198/2015 só tende a aumentar o estigma, preconceito e discriminação da sociedade em relação ao HIV e pessoas soropositivas, afastando-os dos serviços de testagem e tratamento, representando um retrocesso nos esforços nacionais de controle da epidemia.
  20. Na entrevista do Fantástico, um dos “carimbadores” revela que os parceiros pedem para ele “tirar o preservativo, achando que ele não tem a doença” e que “possui o HIV controlado”. Uma pessoa adulta sabe o risco que corre ao fazer sexo sem preservativo. Nenhum soropositivo, seja ele carimbador ou não, pode ser obrigado a “cuidar da saúde” do parceiro quando se trata da relação entre pessoas adultas e com plena convicção e controle de suas ações. Neste caso, a responsabilidade é compartilhada, o sexo é consensual e cabe a cada uma das partes praticar e exercer o autocuidado. É desumano querer obrigar um soropositivo a andar com uma plaquinha de soropositivo, obrigá-lo a informar que é soropositivo e jogar no soropositivo toda a responsabilidade do ato sexual. Queremos criar uma cultura em que os parceiros soronegativos não vejam na soropositividade do parceiro um empecilho à prática sexual, ao relacionamento, e não olhem o parceiro soropositivo com repulsa. Isso, infelizmente, está bem distante de acontecer na prática. Além dos sofrimentos físicos que um soropositivo vive, e dos efeitos colaterais e adversos de algumas medicações antirretrovirais, que precisam ser tomadas durante a vida, são imensos os sofrimentos psicológicos advindos do terrorismo de ter uma “doença incurável”, da estigmatização, dos julgamentos sociais precipitados, do preconceito e da discriminação.
  21. Usar um psiquiatra para patologizar e ao mesmo tempo criminalizar os supostos carimbadores é um recurso vergonhoso. É preciso chamar uma discussão ética acerca disso e a partir daí estruturar uma intervenção. Além do equívoco científico, teórico e metodológico que é patologizar um comportamento como esse, baseado na normatividade das relações, repito: é equivocado esperar que o soropositivo seja responsável pela prevenção e prática do sexo seguro de ambos envolvidos. Igualar um distúrbio de saúde mental a um comportamento criminoso é um absurdo, é condenável e contraditório. Uma coisa pode levar a outra e vice-versa, mas igualar as duas práticas, como acontece na fala do psiquiatra da USP, “especialista em sexualidade”, é no mínimo leviano. A Rede Globo e o Fantástico, por meio de seus “especialistas”, comumente usam do recurso de autoridades para provar os seus discursos e construir mentiras e situações duvidosas.
  22. O que a reportagem do Fantástico faz não é provar a prática de transmissão deliberada por uso de fraude e abuso de confiança, mas sim condenar o comportamento barebacker, que é o perfil dos entrevistados que eles conseguiram. Se eu, que sou um soropositivo, afirmo que eu não faço sexo com camisinha com ninguém, me torno criminoso por isso? E se fosse o inverso, se fosse um negativo fazendo essa afirmação, ele seria criminoso também? O comportamento criminoso é fazer sexo sem camisinha? O falso moralismo da imprensa não admite que há pessoas adultas e capazes de fazerem suas próprias escolhas, que optam deliberadamente por fazer sexo sem camisinha sabendo dos riscos que correm, sendo soropositivas ou soronegativas.
  23. Há riscos de se praticar bareback mesmo entre soropositivos. Como existem mais de dez subtipos diferentes de vírus, os soropositivos também podem se reinfectar, sofrer um recruzamento de cepas de vírus HIV, que podem sofrer cruzamento entre si e tornar o HIV mais agressivo e portanto resistente à medicação. O fator risco existe nos dois lados da moeda e cabe a cada um estar consciente disso no ato da prática sexual. Meu corpo, meus direitos, minhas regras, minha audeterminação, minha responsabilidade, minha saúde e minha segurança.
  24. A reportagem traz ainda o relato do “carimbador” que disse ter pego HIV porque quis: mais um depoimento que não tem absolutamente nada a ver com as vítimas do “clube do carimbo”. Os dois entrevistados que se dizem carimbadores nem sequer compreendem a dinâmica do tal clube! Uma coisa é ele se intitular “carimbador”, outra coisa é ele ser um frequentador de locais de sexo grupal, como saunas e apartamentos fechados com cerca de 50 homens, todos praticando relação sem o uso de preservativo e sem qualquer conhecimento a respeito do status sorológico dos envolvidos. É irresponsável que a reportagem faça o alarde que fez, pegue duas pessoas com contextos totalmente distintos e as insira para dizer que são adeptos do “clube do carimbo”. Cada adulto possuidor de suas faculdades mentais deve ter o direito a fazer o que quiser com o seu corpo, inclusive fazer sexo sem camisinha com o objetivo de contrair o HIV. Mas o sensacionalismo não quer permitir isso, jamais! Ainda bem que, a despeito do nosso atual Congresso conservador repleto de fundamentalistas e reacionários, os legisladores de 1988 garantiram que o Estado não pode intervir sobre o corpo e a autodeterminação das pessoas. Não é a toa que a prática do aborto e do consumo de drogas são temas em debate nos órgãos judiciários superiores e há uma tendência a sacramentar esse entendimento, garantindo o texto constitucional e derrubando toda a legislação e normatividade infraconstitucional que verse em contrário.
  25. O ponto alto da falta de discernimento do Fantástico acontece quando são apresentadas as vítimas. Ao contrário do era de se esperar, elas dizem ter feito sexo sem camisinha de maneira consentida. O repórter tem ainda a infelicidade de dizer: “No caso dele, o parceiro não contou que tinha a doença e a relação sexual foi sem camisinha.” Em outro momento, a vítima diz: “Fui à sauna, pensei que iria conhecer um cara legal…” Essas falas só confirmam que elas não são vítimas, mas sim optaram por ter relações sem camisinha. No sexo consentido a responsabilidade é compartilhada, e se não é provada a prática do abuso de confiança ou fraude no sentido de furar/rasgar ou retirar a camisinha durante o ato sexual, não há a prática utilizada pelos adeptos do “clube do carimbo”. Tanto a vítima que foi infectada pelo namorado como a vítima que se infectou na sauna possuem responsabilidade em relação a prática sexual, que foi feita mediante o seu consentimento, com a sua autorização; foi responsabilidade de ambas abolir o uso da camisinha. Um dos jovens que eu acolhi fez uso de drogas e ficou fora de si; no dia seguinte pela manhã soube que havia transado com pelo menos cinco homens diferentes e todos sem camisinha. Após alguns dias ele realizou o teste para HIV e deu reagente. Esse seria um caso de “clube do carimbo”: ele foi numa festinha privada, onde estava rolando um sexo grupal com cerca de uns 30 homens, e as relações antes do uso das drogas e da bebida foram com camisinha. Depois ele fez sem mas só se ligou que isso havia acontecido porque no dia seguinte havia uma grande quantidade de sêmen saindo dele. Do contrário, talvez, ele nem perceberia que isso aconteceu e jamais teria a iniciativa de se testar. São contextos TOTALMENTE diferentes e divergentes entre uma vítima do “clube do carimbo” e essas vítimas que o Fantástico encontrou nas suas investigações. Não ficou comprovada em momento algum a prática criminosa e a intencionalidade da transmissão durante a reportagem exibida pelo Fantástico.
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  27. Evidentemente, meu posicionamento é contrário à transmissão intencional e concorda com a lei em vigor que pune tal prática como lesão corporal grave. Contudo, acredito que a prática sexual de uma pessoa com HIV com uma pessoa sem HIV, feita de forma consensual, não determina a intencionalidade e o caráter proposital da transmissão do HIV. Nós soropositivos temos nossas relações sexuais como qualquer outra pessoa que não possua o vírus HIV e não é pelo fato de ter o vírus que os soropositivos devem se privar de praticar o ato sexual e exercer a sua sexualidade.
  28. O sexo desprotegido não é uma prática limitada apenas aos gays, diz respeito à população em geral. Apesar de a reportagem do Fantástico ter colocado uma fala do psiquiatra sinalizando que heterossexuais também praticam sexo sem camisinha, e podem inclusive integrar o “clube do carimbo”, em momento algum um heterossexual foi entrevistado, nem para se dizer “carimbador” nem para se dizer “carimbado”. Novamente centrou-se o foco como algo exclusivamente dos gays e HSHs (homens que fazem sexo com homens), assim como acontecia na década de 1980 e 1990. Recentemente, no programa Lado Bi dos Héteros, nossos entrevistados disseram que homens heterossexuais não são tão adeptos da camisinha porque muitos ainda pensam que Aids é “doença de gay” e que consideram um troféu transar com uma mulher sem preservativo. De acordo com a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) divulgada em janeiro, a maioria dos brasileiros (94%) sabe que o preservativo é a melhor forma de prevenção contra as DST e a AIDS, mas 45% da população sexualmente ativa do país não usou preservativo em suas relações sexuais casuais nos últimos 12 meses. E mais: ainda segundo a PCAP, entre as mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 resultou de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV.
  29. Outro aspecto que a reportagem do Fantástico não mencionou é que,virtualmente, é mais seguro transar sem camisinha com um soropositivo em tratamento, com carga viral indetectável, do que com uma pessoa que desconhece seu status sorológico, os chamados sorointerrogativos. Um paciente soropositivo em tratamento realiza exames periódicos de carga viral e de outras DSTs, em geral a cada três meses. A periodicidade desses exames é condicionada à entrega dos medicamentos antirretrovirais.
  30. Segundo a nota lançada pelo Unaids, que também foi entrevistado peloFantástico, as matérias sobre o “clube do carimbo”, além de serem sensacionalistas e alarmistas, se baseiam em informações contidas em fontes de credibilidade questionável na internet, sem destacar nenhuma informação precisa e de caráter verídico. O Unaids ressaltou ainda que as matérias têm tratado do assunto de forma extremamente equivocada e generalista. Elas não informam corretamente que as práticas sexuais consentidas entre adultos sem o uso de preservativo(bareback) e os possíveis casos de transmissão intencional do HIV são coisas distintas, que devem ser tratadas de forma separada. Novamente: nem todo barebacker é adepto do “clube do carimbo”, nem todo gay, nem todo soropositivo. Apesar do Fantástico ter entrevistado alguém do Unaids, ficou claro que eles não leram a nota e, se leram, a interpretaram de forma totalmente errada, porque a matéria que foi produzida em nada dialoga com os apontamentos feitos por eles.
  31. De janeiro a dezembro de 2014, 74.794 novas pessoas com HIV e AIDS entraram em tratamento com antirretrovirais pelo SUS, o que corresponde a um aumento de 31% na comparação com o mesmo período de 2013. Grande parte desse aumento diz respeito ao novo protocolo clínico: oferecer tratamento a todas as pessoas diagnosticadas pelo HIV. Ainda cabe destacar que 88% das pessoas que iniciam o tratamento antirretroviral ficam com a carga viral indetectável após 6 meses de seu início segundo o padrão da OMS (menos de 1000 cópias do HIV/ml) e 78% segundo o padrão do Ministério da Saúde(50 cópias/ml). Tudo isso poderia ter sido falado na matéria do Fantástico, para que a matéria tivesse um tom mais informativo e menos sensacionalista, informando a população que o tratamento antirretroviral hoje se configura como um método eficaz de prevenção a transmissão do HIV.
  32. Talvez muitos desconheçam a história de Ryan White, jovem que contraiu HIV via transfusão sanguínea e descobriu seu diagnóstico ao adoecer em 1984. Os médicos lhe deram seis meses de vida. Ryan conquistou na Justiça o direito de retornar a escola, aos 15 anos de idade, visto que a escola na época não queria aceitar que o adolescente voltasse a estudar, sofrendo inclusive pressões dos pais de alguns alunos. Quando finalmente Ryan foi readmitido na escola, um grupo de pais retirou seus filhos de lá e iniciou uma escola alternativa. Ameaças de violência e processos continuavam. As pessoas na rua gritavam: “Nós sabemos que você é bicha.” Até os editores do Kokomo Tribune, jornal local que militava pela causa de Ryan, foram chamados de homossexuais e ameaçados de morte. O caso de Ryan White ganhou notoriedade em todos os Estados Unidos, disparando uma onda de discussão sobre a doença. Ele aparecia com frequência nos jornais e na televisão, discutindo seu drama. Participou de vários eventos educativos e beneficientes para vítimas da Aids. Tudo isso foi uma importante mudança de paradigma, pois até então a Aids era uma doença atribuída somente aos gays. Sua história fez todos perceberem que isso não era verdade. No início de 1990, a saúde de Ryan se deteriorou rapidamente, e em 29 de março ele foi internado. Morreu em 8 de abril de 1990 aos 18 anos de idade. Seu funeral atraiu 1.500 pessoas, entre elas o presidente Ronald Reagan, que era criticado por nunca mencionar a palavra Aids em seus discursos e por não investir recursos em seu combate, como mostrado recentemente no filmeThe Normal Heart. Naquele dia, Reagan prestou um tributo a Ryan, homenageando-o. Que esta história sirva como exemplo do que a ignorância e o preconceito em relação aos portadores do vírus HIV podem fazer com uma pessoa. Quero destacar uma importante frase de Ryan sobre a AIDS, que além de levar comigo pra vida, dialoga muito com nossa realidade:  “Por conta da falta de informação e educação sobre a Aids, a discriminação, o medo, o pânico e as mentiras tomaram conta do mundo.”

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