: Praticante de kitesurfe ao pôr do sol, em Barra Grande (PI), é uma das fotos do fotógrafo amador Marcos Amend disponíveis no banco de imagens CrayonStock; Amend ganha, em média, R$ 400 por mês com a venda de suas imagens no site.
Marcos Amend/CrayonStock
Fotógrafos profissionais e amadores que produzem imagens com rostos, paisagens e costumes brasileiros podem fazer um dinheiro extra ao disponibilizá-las em bancos de imagens. É o que faz o pesquisador Marcos Amend, 46, que ganha, em média, R$ 400 por mês com a venda de suas imagens no site brasileiro CrayonStock e em estrangeiros, como o Shutterstock.
Ele disponibilizou cerca de 120 fotos, que foram tiradas enquanto era diretor de uma ONG (organização não-governamental) de preservação ambiental. Suas imagens de florestas, animais e vida selvagem têm de 400 a 500 downloads por mês nos sites.
"No início, fazia as fotografias pensando apenas em registrar boas fotos, não considerava vendê-las para bancos de imagens. Hoje, quando vou fotografar, já penso em ângulos diferenciados, na qualidade do arquivo e até nas palavras-chave que poderei usar para classificá-las", diz.
A CrayonStock, que entrou em operação em março deste ano, conta com um acervo de 246 mil fotos enviadas por fotógrafos profissionais e pessoas comuns. As imagens tanto podem ser documentais --retratam a realidade--, quanto produzidas, ou seja, mostrarem modelos, por exemplo. Antes de serem disponibilizadas, elas passam por uma curadoria.
"Consideramos a qualidade da foto e do arquivo, como o olhar do fotógrafo e a resolução, se há autorização do uso de imagem das pessoas que aparecem na foto, o apelo comercial e o ineditismo", diz Luca Atalla, 41, criador do site.
Entre os compradores estão agências de publicidade, editoras e empresas que utilizam fotos em seus materiais de comunicação. Há opções de assinatura a partir de R$ 97 mensais (até 150 fotos por mês) a R$ 557 (até 25 fotos por dia), no modelo "royalty free", que não especifica o uso da imagem.
O fotógrafo recebe uma comissão de 50% do preço de venda da foto. O valor final depende do preço do plano ao qual o cliente aderiu e do número de imagens que ele pode baixar. Se o cliente tiver uma assinatura de R$ 97, por exemplo, o fotógrafo receberá R$ 0,32 por foto. Ou seja, para ter uma boa remuneração, é necessário disponibilizar muitas fotos e ter muitos downloads.
A empresa começou com investimento-anjo de R$ 1 milhão e pretende faturar o mesmo montante no primeiro ano de funcionamento, quando espera chegar a 400 mil imagens no portfólio.
Outras empresas já faturam com o segmento, que deve crescer, diz professor
Existem no mercado bancos de imagens brasileiros com mais de 10 anos de existência, como a Pulsar Imagens, fundada em 1991, e o SambaPhoto, criado em 2001. Ao contrário da CrayonStock, essas empresas priorizam fotos documentais e artísticas, em que o olhar profissional do fotógrafo conta muito.
Célio Placer, professor de planejamento estratégico da FIA, diz que a demanda por fotos tipicamente brasileiras é crescente em todo o mundo, pois o país tem ganhado representatividade no cenário internacional. Isso tem criado oportunidades para os bancos de imagens. No entanto, para sobreviver, as empresas deverão apostar em um bom acervo e em parcerias comerciais.
"Quem tiver o maior acervo terá maior penetração de mercado. E, para ter o maior acervo, é necessário remunerar bem o fotógrafo. Também é interessante buscar parcerias com grandes grupos de mídia, por exemplo, identificar suas necessidades e desenvolver produtos focados nelas", afirma.
Dicas para vender suas fotos para bancos de imagens
Invista em bons equipamentos
A qualidade da foto é essencial para ser aceita e comercializada em bancos de imagens. Com uma câmera do tipo reflex e uma lente de 50 mm, já é possível começar a fotografar. Os arquivos devem ter o tamanho mínimo de 1MB. Além de uma boa câmera, um tripé pode ajudar a evitar tremores em fotos produzidas
Apure o olhar
O olhar do fotógrafo é fundamental. Aposte em imagens com novos ângulos ou com uma iluminação diferente
Não adultere a imagem original
Evite aplicar filtros ou mesmo retocar a foto. Os bancos de imagens têm equipes específicas para isso. Quanto mais perto do original, melhor
Tenha autorização de uso de imagem de pessoas
Se retratar pessoas, você precisará de um termo de autorização de uso de imagem, pois a foto pode parar em um anúncio, por exemplo. Acesse um modelo do documento por computador e tablet (clique nesta mensagem) ou celular (digite ou copie: http://zip.net/bpqtpr)
Procure referências
Em fotografia, referência é fundamental. Pesquise os bancos de imagens e entenda o perfil de cada um para saber o que tem mais apelo comercial
Fonte: Luca Atalla, da CrayonStock